Análise de dados na pesquisa
Do dado bruto ao resultado relatado: arrumar a tabela, descrever, comparar grupos com tamanho de efeito e intervalo de confiança, correlacionar, cruzar categorias, gerar cada figura por script e codificar entrevistas com um codebook — com ferramentas gratuitas, execuções reais e cada número explicado.
Para quem é — e o que você vai saber fazer ao final
Este manual é para pós-graduandos que precisam analisar os dados da própria pesquisa sem formação em estatística nem em programação. Cada número que aparece — DP, IC, p, d, η² — é explicado numa frase quando surge pela primeira vez. Os resultados quantitativos são reais, obtidos em 09/09/2026 com um conjunto de dados aberto (Palmer Penguins, CC0) e scripts, um notebook e uma planilha executados de verdade nesta máquina. Os textos de entrevista da parte qualitativa são fictícios e ilustrativos, escritos para a demonstração. O manual não fez login em nenhum serviço (Colab, Planilhas Google, jamovi Cloud, OSF, Zenodo): o que exige conta é descrito pela documentação oficial e dito como tal.
Ao final, você vai conseguir
- Decidir a técnica pelo projeto, não pelo dado — e arrumar a tabela no formato tidy (Wickham, 2014), com o dado bruto intocado e a limpeza documentada.
- Descrever e comparar na planilha (LibreOffice Calc, Planilhas Google), em Python com pandas e SciPy, num notebook Jupyter ou num programa de menu (jamovi, JASP) — e obter o mesmo resultado em duas ferramentas.
- Ler um resultado: n por grupo, média e DP, diferença com IC 95 %, tamanho de efeito e p — e saber quando o teste robusto entra ao lado do paramétrico.
- Codificar entrevistas no Taguette com um codebook escrito antes, exportar os destaques e sintetizar por tema com trechos (Braun & Clarke, 2006).
- Relatar conforme SAMPL (quantitativo) e COREQ/SRQR (qualitativo), com cada figura gerada por script e nenhum número digitado à mão.
- Rodar três scripts:
limpar_dados.py,analisar.pyecodificar_taguette.py.
Versões, nomes de botão e citações são os das páginas oficiais observadas em 09/09/2026; quando a sua tela divergir, vale a tela. As saídas de terminal, o notebook e o projeto do Taguette são execuções reais nesta máquina (Python 3.14.7, pandas 3.0.5, SciPy 1.18.1, JupyterLab 4.6.3, Taguette 1.5.2, LibreOffice Calc 25.2.7).
Escolher o teste pelo p mais bonito. Rodar «todos os testes» e relatar o que deu significativo não é análise, é pesca. A técnica vem do projeto (Parte 1); o p vem depois do tamanho de efeito e do IC (Parte 3); e o que foi testado a mais precisa de correção e de declaração (slide «Múltiplas comparações»).
Este manual cuida da análise. O projeto que decide a técnica está no de Metodologia; a literatura vem de Busca e PRISMA; as referências, do Zotero; o texto, do LaTeX; o versionamento dos scripts e dados derivados, do Git; a leitura assistida, do Notebook; a declaração, do Uso de IA; e o Plugin junta tudo. Hub: mirandastech.com.br/pesquisa.
Mapa: do dado bruto ao resultado relatado — e onde cada parte do manual entra
limpar_dados.py gera o arquivo limpo e o relatório do que foi feito; dado pessoal anonimizado (LGPD)analisar.pycodificar_taguette.py → síntese por tema com trechos| Parte | O que cobre | Passos |
|---|---|---|
| 1 Antes de analisar | A técnica vem do projeto · dados arrumados · bruto intocado, limpeza e LGPD · o conjunto da demonstração · onde achar dados abertos | Passos 1 a 3 |
| 2 Planilha | Quando basta · LibreOffice Calc e a tabela dinâmica · fórmulas e o n que muda o DP · Planilhas Google e Excel · erros de planilha | Passo 4 |
| 3 Python e notebooks | pandas, SciPy, Matplotlib · Jupyter, JupyterLab e Colab · os scripts · como ler os números · pressupostos · múltiplas comparações · figura por script | Passos 4, 5 e 7 |
| 4 Programas de menu | jamovi e JASP · R e RStudio · OpenRefine e Orange · o mesmo resultado em duas ferramentas | Passos 2, 4 e 5 |
| 5 Qualitativo com o Taguette | Análise temática e codebook · instalar, criar projeto, destacar, etiquetar, exportar · codificar_taguette.py · COREQ e SRQR | Passo 6 |
| 6 Relatar e fechar | SAMPL · o plugin · erros comuns · checklist · glossário · referências · como citar | Passo 7 |
Quem tem uma tabela e nunca analisou nada começa na Parte 1 e faz a Parte 2 com a planilha aberta ao lado. Quem quer resultados com efeito e IC sem programar vai à Parte 4 e volta ao slide «Como ler os números» da Parte 3. Quem tem entrevistas vai à Parte 5. Todos passam pela Parte 6 antes de escrever.
Nomes de menu e de botão entre «aspas angulares». Comandos em blocos com botão «copiar». Capturas de páginas em 1920 × 938, feitas em 09/09/2026 sem login. Figuras de terminal, do JupyterLab e do Taguette com «execução real nesta máquina». Números decimais com vírgula, como no português. Trechos de entrevista sempre marcados como fictícios.
A técnica vem do projeto, não do dado; dados arrumados; dado bruto intocado, limpeza documentada e LGPD; o conjunto da demonstração; onde achar dados abertos
Seis slides sem nenhum teste estatístico: o que precisa estar decidido e organizado antes de abrir a planilha ou o terminal — porque a maior parte dos erros de análise acontece aqui, e não na fórmula.
A técnica vem do projeto, não do dado: a pergunta e o tipo de variável escolhem o teste — antes da coleta
O projeto de pesquisa (manual irmão de Metodologia) já diz qual pergunta será respondida, com que variáveis e por qual técnica. A análise executa essa decisão. Trocar de técnica depois de ver os dados é possível — mas fica registrado, com o motivo, e vai para o texto. O que não se faz é rodar tudo e escolher o que «deu certo».
| Pergunta | Variáveis | Técnica (o que o analisar.py faz) |
|---|---|---|
| Uma medida difere entre dois grupos? | Uma numérica, uma categórica com 2 níveis | t de Welch com IC 95 % e d de Cohen; Mann-Whitney ao lado |
| …entre três ou mais grupos? | Uma numérica, uma categórica com 3+ níveis | ANOVA com η²; Kruskal-Wallis ao lado |
| Duas medidas variam juntas? | Duas numéricas | Pearson com IC; Spearman ao lado |
| Duas classificações estão associadas? | Duas categóricas | Qui-quadrado com V de Cramér; aviso se algum esperado < 5 |
| O que as pessoas dizem sobre X? | Texto de entrevista, resposta aberta | Análise temática com codebook (Parte 5) — não é estatística |
- Pergunta → variáveis → técnica, escritas no projeto antes da coleta
- Instrumento desenhado para produzir exatamente essas variáveis
- Tamanho de efeito e IC decididos como resultado principal; o p acompanha
- Mudança de técnica: registrada com data e motivo
- Coleta primeiro; «depois a gente vê o que dá para testar»
- Vários testes até um p < 0,05 aparecer
- Grupos redefinidos, outliers apagados, variáveis criadas depois de ver o resultado
- Nada disso declarado no texto
Antes de abrir o dado, escreva em uma linha: «vou comparar Y entre os grupos de G com teste, e o resultado principal é a diferença com IC 95 %». Se essa linha não existe no projeto, o passo é voltar ao Metodólogo, não ao software. Wilson et al. (2017) chamam isso de prática «boa o bastante»: decidir antes, registrar tudo.
Dados arrumados (tidy): cada variável numa coluna, cada observação numa linha, cada tipo de unidade numa tabela
Wickham (2014) deu nome ao formato que toda ferramenta deste manual espera. Uma tabela «larga», bonita para ler, esconde uma variável nos cabeçalhos; a tabela arrumada repete o valor da categoria em cada linha e deixa a ferramenta agrupar, filtrar e cruzar sem retrabalho. A tabela dinâmica da Parte 2, o groupby do pandas e os menus do jamovi partem da mesma forma.
| Antes — «larga»: a espécie virou cabeçalho, a massa está espalhada em três colunas (esquema) | |||
|---|---|---|---|
| island | Adelie | Chinstrap | Gentoo |
| ilha A | massa… | massa… | — |
| ilha B | massa… | — | massa… |
| Depois — arrumada: uma linha por pinguim, uma coluna por variável (as colunas reais do Palmer Penguins) | |||
|---|---|---|---|
| species | island | body_mass_g | sex |
| Adelie | ilha A | … | female |
| Adelie | ilha A | … | male |
| Gentoo | ilha B | … | female |
| Sinal de tabela desarrumada | Como arrumar |
|---|---|
| Valores no cabeçalho («2024», «2025», «Adelie») | Vira uma coluna ano ou species e uma coluna com o valor |
| Duas variáveis numa célula («… g / macho») | Duas colunas: body_mass_g e sex |
| Unidade no valor («… g») | Unidade no nome da coluna; célula só com o número |
| Total ou média no meio das linhas | Fora da tabela de dados: a ferramenta calcula |
| Células mescladas, cabeçalho em duas linhas | Uma linha de cabeçalho, sem mesclar; cada coluna com nome único |
| Ausente escrito de três jeitos («», «NA», «-») | Um único marcador de ausente; o limpar_dados.py conta e avisa |
Nomes de coluna curtos, sem acento, sem espaço, com a unidade quando houver (body_mass_g, flipper_length_mm): o pandas, o R, o jamovi e o JASP leem sem ajuste, e o script que gera a figura não precisa de tradução. A tabela «larga» pode existir — como saída para o texto, gerada a partir da arrumada.
Dado bruto intocado, limpeza documentada, dado pessoal fora do repositório — três regras que valem antes de qualquer número
limpar_dados.pyLê a cópia, lista tipos, ausentes, duplicatas, variantes de texto, vírgula decimal, valores fora de 1,5 × IQR — e não apaga nadalimpo.csv) e o registro do que foi decidido sobre cada aviso: é isso que a análise lêWilson et al. (2017): dados brutos intocados, um script para cada transformação, nomes de arquivo previsíveis. Toda decisão de limpeza («os 2 ausentes de massa ficaram fora da média», «a duplicata da linha 40 foi removida porque…») vai para um arquivo de texto ao lado do dado e depois para o método. O que não está escrito não aconteceu.
| O que | Onde fica | Entra no Git? |
|---|---|---|
| Dado bruto com dado pessoal (nome, CPF, e-mail, gravação, transcrição identificável) | Pasta protegida fora do repositório (dados_FORA_DO_GIT/), com acesso restrito | nunca |
| Dado bruto sem dado pessoal (sensor, conjunto aberto) | A mesma pasta, ou o repositório de dados de origem | só se for pequeno e a licença permitir |
| Dado limpo e anonimizado + relatório de limpeza | Pasta de dados do projeto | sim |
| Scripts, notebook, codebook | Pasta de scripts | sim |
| Tabelas e figuras de resultado | Pasta de saídas, geradas por script | sim |
«Anonimizei: troquei o nome por um código». Um código ligado a uma tabela que ainda tem o nome não anonimiza nada; e uma transcrição de entrevista identifica pela história contada. Antes da análise, a tabela de correspondência fica fora do repositório e a transcrição passa por remoção de nomes, lugares e datas que identifiquem. A LGPD trata dado de pessoa identificável como pessoal mesmo em pasta «privada».
O conjunto da demonstração: Palmer Penguins — 344 pinguins, três espécies, oito colunas, licença CC0

| Item | Valor |
|---|---|
| Registros | 344 pinguins de três espécies (Adelie, Chinstrap, Gentoo) em três ilhas do arquipélago Palmer, Antártida |
| Colunas | species, island, bill_length_mm, bill_depth_mm, flipper_length_mm, body_mass_g, sex, year |
| Ausentes | 2 nas medidas, 11 em sex — por isso os n mudam de análise para análise (342 na correlação, 333 no qui-quadrado) |
| Origem | Gorman, Williams e Fraser (2014), PLoS ONE, DOI 10.1371/journal.pone.0090081 |
| Licença | CC0 — pode ser copiado, redistribuído e usado em aula sem pedir permissão |
Aprenda a ferramenta num conjunto aberto e pequeno antes de tocar no seu dado: com o Palmer Penguins você confere se o resultado bate com o deste manual; com o seu dado, um erro de ferramenta e um erro de dado ficam indistinguíveis. A pergunta da demonstração é simples de propósito: «a massa corporal difere entre espécies e entre sexos?».
Um conjunto com ausentes, três grupos de tamanhos diferentes e uma coluna categórica com falhas reproduz o que aparece em dados reais de pesquisa. Dados simulados só entram neste manual com o rótulo «fictício» — e nunca misturados aos reais.
Onde achar dados abertos (1 de 2): o Portal Brasileiro de Dados Abertos e o SIDRA do IBGE


| Fonte | Serve para | O que conferir antes de usar |
|---|---|---|
| dados.gov.br | Dados administrativos de órgãos públicos brasileiros: educação, saúde, transporte, orçamento | Licença do conjunto, data de atualização, dicionário de variáveis |
| SIDRA / IBGE | Séries e tabelas oficiais por município, estado e país | A tabela e o período exatos (o número da tabela vai para o método) |
Um dado aberto é bruto como qualquer outro: baixe, guarde intocado com a data e a URL, e passe pelo limpar_dados.py. No texto, cite a fonte, a tabela, a data de acesso e a licença — e diga o que foi filtrado ou recodificado. A exportação do SIDRA costuma vir «larga» (anos nas colunas): o slide «Dados arrumados» resolve.
Onde achar dados abertos (2 de 2): OSF e Zenodo — dados de outras pesquisas, com DOI e licença declarada


| Fonte | Serve para | O que conferir antes de usar |
|---|---|---|
| OSF | Dados, instrumentos e pré-registros de estudos publicados; replicações | Licença do componente, se o dado é bruto ou derivado, o artigo de origem |
| Zenodo | Conjuntos de dados e código com DOI, de qualquer área | Versão do registro, licença e a descrição que o acompanha |
Reutilizar o dado de outra pesquisa é citar o dado (DOI, versão) e o artigo que o descreve — como este manual cita o Palmer Penguins pelo pacote e por Gorman, Williams e Fraser (2014). Sem licença explícita no registro, pergunte ao autor antes de analisar; «está na internet» não é licença.
Nem o OSF nem o Zenodo tiveram acervo, limites de tamanho ou planos conferidos nesta data; o manual só mostra as páginas públicas de entrada e de busca.
Quando a planilha basta; LibreOffice Calc e a tabela dinâmica passo a passo; COUNTIF, AVERAGEIF e o n que muda o DP; Planilhas Google e Excel; erros de planilha
Cinco slides para quem vai ficar na planilha — e para quem vai sair dela sabendo por quê. O exemplo do desvio padrão que «não bate» com o Python é real, aconteceu na demonstração de 09/09/2026, e é a melhor aula sobre conferir o n.
Quando a planilha basta: contar, somar, tirar média e DP por grupo, montar a tabela descritiva — e quando ela para de bastar
- Conferir a tabela: colunas, tipos, ausentes, valores estranhos — a olho e com filtro
- Descritivas: n, média, DP, mediana, mínimo e máximo por grupo (tabela dinâmica ou fórmulas)
- Tabela cruzada de duas categorias (contagens)
- Preparar a tabela arrumada que o jamovi, o JASP ou o pandas vão ler
- A tabela descritiva do texto, depois conferida numa segunda ferramenta
- Teste com IC 95 % e tamanho de efeito: dá para montar por fórmula, mas cada passo é uma célula que alguém pode sobrescrever
- Teste robusto (Mann-Whitney, Kruskal-Wallis, Spearman): sem função pronta
- Figura para o artigo: um gráfico de planilha não é gerado por script e não se refaz sozinho quando o dado muda
- Mais de umas centenas de linhas por muitas colunas: lento e fácil de errar
- Reprodutibilidade: ninguém sabe o que foi digitado e o que foi calculado
A planilha é boa para olhar o dado e para a primeira descritiva; é ruim para guardar a análise. Se você vai ficar nela, duas regras: nenhuma célula de resultado digitada à mão (tudo fórmula, com o intervalo visível) e o arquivo de dados separado do arquivo de cálculo. Se vai sair dela, saia depois de ter a tabela arrumada — o resto das ferramentas lê CSV.
LibreOffice Calc (gratuito, instalado localmente, é o que rodou nesta máquina), Planilhas Google (on-line, exige conta Google) e Excel (pago, Microsoft 365). Os passos da tabela dinâmica são os da ajuda oficial do Calc em português; a lógica é a mesma nos três.
LibreOffice Calc e a tabela dinâmica: «Inserir – Tabela dinâmica» → «Seleção atual» → arrastar os cabeçalhos → OK


species para Campos de linha; body_mass_g para Campos de dados — escolhendo a função (contagem, média, desvio padrão) no campo de dadosA tabela dinâmica é a primeira descritiva por grupo sem fórmula nenhuma: n (contagem), média e desvio padrão por espécie em quatro cliques. Só funciona sobre a tabela arrumada (Parte 1). Copie o resultado para o texto como valores, mas guarde a planilha com a tabela dinâmica viva — ela é a prova de como o número foi obtido.
O Calc rodou nesta máquina sem tela (recalculo automático da planilha da demonstração), por isso não há captura da janela do assistente; os nomes dos passos são os da ajuda oficial em português (Figura 7).
COUNTIF, AVERAGEIF e o n que muda o DP: a planilha e o Python deram a mesma média — e um desvio padrão diferente
Três palavras antes dos números: n é quantas observações entraram no cálculo; média é a soma dividida por n; DP (desvio padrão) é quanto os valores se afastam da média, na mesma unidade da variável — um DP de 458,57 g diz que a massa dos Adelie varia tipicamente uns 458,57 g em torno da média. A média ignora a célula vazia sozinha; o DP calculado à mão, não.
=COUNTIF(A:A; "Adelie") n: conta as linhas da espécie (inclui a que tem massa vazia!)
=AVERAGEIF(A:A; "Adelie"; F:F) média da massa da espécie (ignora a célula vazia)
=SQRT(SUMPRODUCT((A2:A345="Adelie")*(F2:F345-média)^2) / (n-1))
DP «à mão»: se n veio do COUNTIF, o denominador conta a linha sem massa| Espécie | Python: n · média · DP | Calc: linhas · média · DP |
|---|---|---|
| Adelie | 151 · 3700,66 g · 458,57 | 152 · 3700,66 g · 457,05 |
| Chinstrap | 68 · 3733,09 g · 384,34 | 68 · 3733,09 g · 384,34 |
| Gentoo | 123 · 5076,02 g · 504,12 | 124 · 5076,02 g · 502,06 |
As médias são idênticas nas duas ferramentas. O DP difere em Adelie e Gentoo porque a fórmula do Calc contou, no n do denominador, a linha em que a massa está ausente (n − 1 = 151 em vez de 150 para Adelie): o Python descarta a linha sem valor antes de calcular; o COUNTIF contou a espécie, não a massa. Chinstrap, sem ausente, bate exatamente. Lição: antes de comparar resultados entre ferramentas, compare o n.
Publicar o DP da planilha «porque deu quase igual». A diferença aqui é pequena; num conjunto com muitos ausentes ela não é. Conferir o n por grupo, com os ausentes contados à parte, é o primeiro item do relato SAMPL (Parte 6).
Planilhas Google e Excel: a mesma lógica, on-line com conta Google — ou paga, no Microsoft 365

| Ferramenta | Onde roda · custo | O que saber |
|---|---|---|
| LibreOffice Calc | No seu computador · gratuito (MPL v2.0) | Instalado localmente, funciona sem internet; é o que rodou nesta máquina (25.2.7); versão anunciada no site: 26.8 |
| Planilhas Google | No navegador · conta Google | «Planilhas on-line e colaborativas», na descrição oficial; o arquivo fica na nuvem da Google — dado pessoal de participante não entra sem anonimizar; a interface logada não foi capturada |
| Excel | Computador ou navegador · pago (Microsoft 365) | A página da Microsoft não respondeu na conferência de 09/09/2026: o manual o cita só como opção paga, sem preço nem versão |
| GNU PSPP | No seu computador · gratuito | Alternativa livre ao SPSS para quem vem dele; a página não pôde ser conferida nesta data (sem versão no manual) |
Escolha pela regra do dado, não pela conveniência: dado com informação pessoal fica em ferramenta local (Calc) até a anonimização; o que já está anonimizado pode ir para a nuvem para colaboração. Em qualquer uma, exporte a tabela arrumada em CSV ao fim — é o formato que a Parte 3 e a Parte 4 leem.
Erros de planilha: datas que viram números, vírgula decimal, célula digitada, cópia de valores — como aparecem e como evitar
| Erro | Como aparece | Causa | Como evitar |
|---|---|---|---|
| Data vira número (ou número vira data) | «45900» onde havia uma data; «1/2» virou «1 de fev.» | A planilha adivinha o tipo da célula ao colar ou importar | coluna como texto na importação; datas em AAAA-MM-DD |
| Vírgula decimal | «3,75» tratado como texto (alinhado à esquerda), média «errada» ou vazia | Arquivo com vírgula aberto em configuração com ponto, ou o contrário | um separador só; o limpar_dados.py avisa e converte |
| Célula de resultado digitada | Uma média que não muda quando o dado muda | Alguém «ajustou» um valor à mão | nenhum número digitado: tudo fórmula ou script |
| Colar «só valores» | A tabela de resultados perdeu as fórmulas; ninguém sabe de onde veio | Cópia para «limpar» a planilha | guardar a versão com fórmulas; colar valores só na cópia para o texto |
| Filtro aplicado ao calcular | Média de «todos» que na verdade é de um subconjunto | Filtro ativo esquecido; funções que ignoram linhas ocultas | limpar filtros antes; conferir o n |
| Ordenar uma coluna só | As massas de um pinguim foram parar em outro | Seleção parcial antes de ordenar | ordenar sempre a tabela inteira; melhor: não ordenar o dado, ordenar a saída |
| Célula mesclada, cabeçalho duplo | A importação no pandas, no jamovi ou no JASP quebra ou desloca colunas | Tabela feita para leitura, não para análise | uma linha de cabeçalho; sem mesclar (slide «Dados arrumados») |
| Ausente que vira zero | Média puxada para baixo; n «cheio» | Célula vazia preenchida com 0 para «fechar» a tabela | ausente é vazio, não zero; contar ausentes à parte |
| n do COUNTIF ≠ n da medida | DP diferente do da outra ferramenta (slide anterior) | Contou a categoria, não a coluna com valor | contar a coluna da variável; comparar n antes de comparar resultados |
| Gráfico da planilha no artigo | Figura sem unidade no eixo, sem n, que não se refaz quando o dado muda | Feita à mão, colada como imagem | figura por script (slide «Figura por script, nunca à mão») |
pandas, SciPy e Matplotlib; Jupyter, JupyterLab e Colab; limpar_dados.py e analisar.py com saídas reais; como ler os números; pressupostos e testes robustos; múltiplas comparações; figura por script
Onze slides com o terminal e o notebook abertos. Todos os resultados são os da execução de 09/09/2026 sobre o Palmer Penguins (Python 3.14.7, pandas 3.0.5, SciPy 1.18.1, Matplotlib 3.11.1, seaborn 0.13.2, JupyterLab 4.6.3) — e cada número é explicado quando aparece.
Python com pandas, SciPy e Matplotlib: a tabela, os testes e a figura — gratuitos, instalados com um comando

pip install pandas.
scipy.stats em docs.scipy.org (captura de 09/09/2026): distribuições, testes e correlação — é de onde o analisar.py tira o t de Welch, o Mann-Whitney, a ANOVA, o Kruskal-Wallis, o Pearson, o Spearman e o qui-quadrado.python3 --version # 3.14.7 nesta máquina pip install pandas scipy matplotlib seaborn jupyterlab # pandas 3.0.5 · SciPy 1.18.1 · Matplotlib 3.11.1 · seaborn 0.13.2 · JupyterLab 4.6.3
| Biblioteca | Faz | Neste manual |
|---|---|---|
| pandas 3.0.5 | Lê CSV e planilha, arruma, agrupa, conta ausentes, descreve | limpar_dados.py, descritivas |
| SciPy 1.18.1 | scipy.stats: testes, correlação, distribuições | todos os testes do analisar.py |
| Matplotlib 3.11.1 | «Biblioteca abrangente para criar visualizações estáticas, animadas e interativas em Python» | a figura do analisar.py --figura |
| seaborn 0.13.2 | Gráficos estatísticos sobre o Matplotlib | o boxplot do notebook |
Você não precisa «aprender Python» para usar a Parte 3: os scripts recebem o CSV e os nomes das colunas e imprimem o resultado. Precisa, sim, saber ler o que sai — é o que os slides «Como ler os números» e «Pressupostos» fazem. Quem quiser ir além tem o notebook (slide seguinte), onde cada linha pode ser alterada e reexecutada.
Jupyter e JupyterLab: código, resultado e texto no mesmo arquivo — o notebook da demonstração, executado de verdade

.ipynb); mais de 40 linguagens.
analisar.py (slide «analisar.py: grupos»).pip install jupyterlab # uma vez jupyter lab # abre a interface; Ctrl+C no terminal encerra
| Termo | O que é |
|---|---|
Notebook (.ipynb) | Arquivo com células de código e de texto e as saídas gravadas; abre em qualquer JupyterLab e no Colab |
| Célula | Um bloco de código executado de uma vez; a saída aparece logo abaixo |
| Kernel | O processo Python que executa as células e guarda as variáveis na memória; reiniciá-lo apaga tudo o que estava carregado |
| JupyterLab × Notebook | A mesma coisa por dentro; o Lab tem abas, terminal e navegador de arquivos ao lado |
O notebook é onde se explora e se explica; o script é o que se entrega. Um resultado do texto pode nascer no notebook, mas termina num script (ou num notebook executado de cima a baixo, slide seguinte) que qualquer pessoa roda e obtém o mesmo número.
O notebook de cima a baixo: um notebook só vale quando executa inteiro, do zero, e chega à mesma figura

import pandas as pd
from scipy import stats
df = pd.read_csv("penguins.csv")
df.shape, df.isna().sum() # 344 linhas × 8 colunas; 2 ausentes nas medidas, 11 em sex
df.groupby("species")["body_mass_g"].describe() # n, média, DP, mediana por espécie
g = [d.dropna() for _, d in df.groupby("species")["body_mass_g"]]
stats.f_oneway(*g); stats.kruskal(*g) # ANOVA e Kruskal-Wallis
import seaborn as sns
sns.boxplot(data=df, x="species", y="body_mass_g", hue="sex")jupyter nbconvert --execute analise.ipynb # executa todas as células, na ordem, num kernel novo
O notebook que «funciona» só na sua tela. Células executadas fora de ordem deixam variáveis na memória do kernel que não existem no arquivo; quem abrir do zero recebe erro na terceira célula. Antes de entregar: reinicie o kernel, execute tudo de cima a baixo — ou rode o nbconvert --execute acima. Se falhar, o notebook não estava pronto.
Google Colab: o Jupyter hospedado, gratuito e sem instalar nada — com limites que «às vezes flutuam»

| Item (FAQ, 09/09/2026) | O que diz |
|---|---|
| Custo | Gratuito; Colab Pro, Pro+ e Pay As You Go dão mais disponibilidade, por unidades de computação (o manual não cita preços) |
| Limites | Não garantidos nem ilimitados; flutuam; o serviço prioriza quem está programando interativamente |
| Execução longa | O Pro+ permite execução contínua de até 24 h |
| Conta | Conta Google obrigatória; o notebook e os arquivos ficam no Google Drive |
| O que roda | O mesmo notebook .ipynb da Figura 12, num Jupyter hospedado pela Google |
O Colab é o caminho mais curto para quem não pode instalar nada no computador (máquina da instituição, tablet). Duas restrições: dado com informação pessoal não sobe para a nuvem sem anonimizar; e o notebook precisa ser baixado e guardado no projeto (e versionado) — a cópia no Drive não é o registro da pesquisa.
A FAQ não publica horas, memória ou GPU garantidas para o plano gratuito, e este manual não inventa: «flutuam» é a palavra da Google.
limpar_dados.py: tipos, ausentes, duplicatas, texto inconsistente, vírgula decimal e valores fora de 1,5 × IQR — avisa, não apaga

python3 limpar_dados.py penguins.csv (captura de 09/09/2026, execução real nesta máquina): 344 × 8; tipo inferido por coluna; ausentes com contagem e percentual — 2 nas medidas, 11 em sex; 0 duplicatas; nenhuma linha foi apagada.python3 scripts/limpar_dados.py dados.csv # só relatório python3 scripts/limpar_dados.py dados.csv --sep ";" --saida limpo.csv # CSV com ponto e vírgula; grava o arquivo limpo python3 scripts/limpar_dados.py dados.xlsx --planilha 0 # primeira aba de uma planilha
| O que confere | Como aparece |
|---|---|
| Tipo por coluna | Número, texto, data — e a coluna «numérica» que veio como texto por causa da vírgula |
| Ausentes | Contagem e % por coluna: célula vazia, «NA», «-» etc. |
| Duplicatas | Linhas inteiras repetidas |
| Texto inconsistente | Espaços sobrando e variantes de maiúsculas («Adelie», «adelie », «ADELIE») que viram três grupos |
| Valores extremos | Fora de 1,5 × IQR por coluna numérica — só avisa |
Dois termos: a mediana é o valor do meio quando se ordena a coluna (metade acima, metade abaixo); o IQR (intervalo interquartil) é a distância entre o valor que deixa 25 % abaixo e o que deixa 75 % abaixo — a «caixa» do boxplot. Um valor além de 1,5 × IQR a partir da caixa é um candidato a outlier: um ponto a investigar, não a apagar.
O script nunca apaga linhas. Cada aviso vira uma decisão sua, escrita no relatório de limpeza: o ausente fica ausente (não vira zero); a duplicata sai se for erro de digitação, fica se forem duas observações reais; o valor extremo fica, salvo erro comprovado de medida — e, mesmo assim, o texto diz que saiu e por quê. A análise roda com e sem ele quando a dúvida persiste.
analisar.py por grupo: descritivas, ANOVA com η² e Kruskal-Wallis — e a figura gerada pelo próprio script

python3 analisar.py penguins.csv --variavel body_mass_g --grupo species --figura massa_por_especie.png (captura de 09/09/2026, execução real nesta máquina): descritivas por espécie e, por serem três grupos, ANOVA com η² e Kruskal-Wallis ao lado.
massa_por_especie.png, gerada pelo analisar.py --figura (09/09/2026): boxplot com os pontos individuais, massa em gramas por espécie. Ninguém desenhou nada: se o CSV mudar, o mesmo comando refaz a figura.| Espécie | n | Média (g) | DP |
|---|---|---|---|
| Adelie | 151 | 3700,66 | 458,57 |
| Chinstrap | 68 | 3733,09 | 384,34 |
| Gentoo | 123 | 5076,02 | 504,12 |
| ANOVA F(2, 339) = 343,63, p < 0,001, η² = 0,67 · Kruskal-Wallis H = 217,60 | |||
A ANOVA pergunta se as médias dos três grupos podem ser iguais; F é a razão entre a variação entre grupos e a variação dentro deles (os números entre parênteses são os graus de liberdade: 2 grupos a mais que um, 339 observações a menos que três). p < 0,001 é a probabilidade de um F tão grande se as médias fossem iguais. η² = 0,67 é o tamanho de efeito: 67 % da variação da massa é explicada pela espécie. O Kruskal-Wallis faz a mesma pergunta com as posições (postos) em vez das médias, sem supor distribuição normal; H = 217,60 aponta na mesma direção. O n é 342 porque 2 pinguins não têm massa.
analisar.py para dois grupos, duas medidas e duas categorias: t de Welch com IC e d, Pearson com IC, qui-quadrado com V de Cramér

analisar.py (captura de 09/09/2026, execução real nesta máquina): massa por sexo (dois grupos → t de Welch, IC 95 %, d de Cohen, Mann-Whitney); massa × comprimento da nadadeira (Pearson com IC, Spearman); sexo × espécie (tabela cruzada, qui-quadrado, V de Cramér, aviso se algum esperado < 5).python3 scripts/analisar.py penguins.csv --variavel body_mass_g --grupo sex python3 scripts/analisar.py penguins.csv --variavel body_mass_g --correlacao flipper_length_mm python3 scripts/analisar.py penguins.csv --categoria sex --grupo species # --markdown resultado.md grava a saída em Markdown para colar no texto
| Pergunta | Resultado (09/09/2026) |
|---|---|
| Fêmeas × machos (massa) | Diferença −683,41 g (IC 95 % −840,58 a −526,25); t de Welch t(323,9) = −8,55; d = −0,94; Mann-Whitney U = 6874 |
| Massa × nadadeira | Pearson r = 0,87 (IC 0,84 a 0,89); Spearman ρ = 0,84; n = 342 |
| Sexo × espécie | χ²(2) = 0,05, p = 0,976; V de Cramér = 0,01; n = 333 |
Diferença: as fêmeas pesam, em média, 683,41 g a menos. O IC 95 % é a faixa compatível com os dados (de −840,58 a −526,25 g): não inclui o zero, então a diferença é distinguível de zero. O t de Welch compara as duas médias sem supor variâncias iguais; d de Cohen = −0,94 é a diferença dividida pelo DP combinado — quase um desvio padrão, um efeito grande. O Mann-Whitney repete a comparação por postos. r = 0,87 é a correlação de Pearson (−1 a 1): massa e nadadeira crescem juntas, forte; ρ de Spearman faz o mesmo por postos. No qui-quadrado, p = 0,976 e V de Cramér = 0,01 (0 a 1) dizem que a proporção de fêmeas e machos é praticamente a mesma nas três espécies. Os n mudam (342, 333) por causa dos ausentes de cada análise.
Como ler os números: o tamanho de efeito diz quanto, o IC diz com que precisão, o p diz se é distinguível do acaso
| Número | O que é | Como ler | Na demonstração |
|---|---|---|---|
| n | Quantas observações entraram no cálculo | Por grupo, sempre; os ausentes à parte | 151 · 68 · 123 por espécie; 342 na correlação; 333 no qui-quadrado |
| Média e DP | Centro e dispersão, na unidade da variável | Sempre juntos; DP pequeno = grupo homogêneo | Gentoo 5076,02 g, DP 504,12 |
| Mediana e IQR | Centro e dispersão por posição; resistentes a extremos | Preferir quando a distribuição é assimétrica | Impressos pelo analisar.py ao lado da média |
| Diferença / efeito | O resultado principal, na unidade da variável | É o que responde à pergunta | −683,41 g entre fêmeas e machos |
| IC 95 % | Faixa de valores compatível com os dados | Largo = pouca precisão; se cruza o zero, a diferença não é distinguível de zero | −840,58 a −526,25 g |
| d de Cohen | Diferença ÷ DP combinado (sem unidade) | Compara efeitos entre estudos; pequeno, médio e grande são convenções, não leis | d = −0,94 |
| η² | Fração da variação explicada pelos grupos (0 a 1) | O tamanho de efeito da ANOVA | η² = 0,67 |
| r · ρ | Força e sentido da relação entre duas medidas (−1 a 1) | Não diz que uma causa a outra | r = 0,87 (IC 0,84 a 0,89); ρ = 0,84 |
| V de Cramér | Força da associação entre duas categorias (0 a 1) | O tamanho de efeito do qui-quadrado | V = 0,01 |
| p | Probabilidade de um resultado tão extremo se não houvesse efeito | Exato (p = 0,976), não «ns»; «< 0,001» só quando for menor; nunca sozinho | ANOVA p < 0,001; qui-quadrado p = 0,976 |
A frase do resultado tem quatro partes, nesta ordem: o efeito na unidade da variável, o IC 95 %, o tamanho de efeito padronizado e o p exato — mais o n de cada grupo. Um p «significativo» com efeito minúsculo (V = 0,01 numa amostra grande) não vale um parágrafo; um efeito grande com IC largo pede mais dados, não mais adjetivos. É o que Lang e Altman (2015) pedem no SAMPL (Parte 6).
Pressupostos e testes robustos: o paramétrico e o seu par por postos rodam juntos — e o texto diz o que foi conferido
| Paramétrico | Supõe | Par robusto | Na demonstração |
|---|---|---|---|
| t de Welch | Distribuição aproximadamente normal em cada grupo; não supõe variâncias iguais (por isso é o padrão do script, e não o t de Student) | Mann-Whitney | t(323,9) = −8,55 e U = 6874 apontam a mesma diferença |
| ANOVA | Normalidade dentro dos grupos e variâncias parecidas | Kruskal-Wallis | F = 343,63 e H = 217,60: mesma conclusão |
| Pearson | Relação linear; sensível a pontos extremos | Spearman | r = 0,87 e ρ = 0,84: a relação é monotônica e quase linear |
| Qui-quadrado | Contagens esperadas ≥ 5 em cada célula | (o script avisa se alguma for < 5) | χ²(2) = 0,05; V = 0,01; n = 333 |
Um teste robusto (por postos, ou não paramétrico) troca os valores pelas suas posições na ordenação e por isso não depende da forma da distribuição nem se deixa puxar por um valor extremo. O analisar.py imprime sempre os dois: quando concordam, como aqui, o resultado não depende do pressuposto; quando divergem, é a distribuição (ou um outlier) que está falando — e o texto precisa dizer isso.
Conferir pressuposto é olhar o dado, não coletar mais um p: o boxplot com pontos (Figura 17) mostra assimetria, caudas e valores extremos melhor que um teste de normalidade em amostras grandes. No método: «a normalidade foi avaliada graficamente; o teste robusto correspondente foi relatado ao lado». Se os dois discordam, relate os dois e explique.
O t de Student exige variâncias iguais nos dois grupos; o de Welch dispensa essa suposição e dá o mesmo resultado quando ela vale — os graus de liberdade fracionários (323,9) são a marca dele.
Múltiplas comparações: cada teste a mais é uma chance a mais de «achar» algo — corrija e declare
Um p < 0,05 significa «isso aconteceria 1 vez em 20 sem efeito nenhum». Quem roda 20 testes espera, portanto, um p «significativo» por acaso. A ANOVA da demonstração diz que as espécies diferem; perguntar quais pares diferem (Adelie × Chinstrap, Adelie × Gentoo, Chinstrap × Gentoo) são três testes a mais — e é aí que entra a correção.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| ANOVA significativa, três grupos | Comparações par a par com correção; o analisar.py para na ANOVA — o par a par é o passo seguinte, no programa de menu ou no notebook |
| Dez variáveis testadas contra o grupo | Dez testes: corrija; ou, melhor, volte ao projeto — qual era a variável principal? |
| Subgrupos criados depois de ver o dado | Exploratório: relate como tal, sem p «significativo» como conclusão |
| Um único teste previsto no projeto | Nada a corrigir — e essa é a vantagem de decidir antes |
Relatar só o que deu. Rodar dez comparações e escrever sobre a única com p < 0,05, sem dizer que houve outras nove, é o erro que mais invalida resultado publicado. O registro de tudo o que foi testado fica no notebook ou no --markdown do script e vai para o material suplementar.
Figura por script, nunca à mão: o arquivo que gera a figura lê o dado — e a refaz quando o dado muda

analisar.py — e o que o seaborn usa no notebook (Figura 13).python3 scripts/analisar.py penguins.csv --variavel body_mass_g --grupo species --figura massa_por_especie.png python3 scripts/analisar.py limpo.csv --variavel minha_medida --grupo meu_grupo --figura figuras/fig1.png
| Toda figura precisa de | Por quê |
|---|---|
| Eixos com nome e unidade | «Massa corporal (g)», não «body_mass_g»; sem unidade o leitor não sabe o que está vendo |
| n por grupo | Na figura ou na legenda: uma caixa de 68 e uma de 151 não pesam igual |
| Os pontos, não só o resumo | O boxplot com pontos mostra a distribuição; a barra com a média esconde |
| Um arquivo de script que a gera | Wilson et al. (2017): cada figura sai de um script que lê o dado; se o dado muda, o comando refaz |
| Um nome de arquivo previsível | O --figura recebe o nome do arquivo de saída (na demonstração, massa_por_especie.png); nomes como fig1_massa_por_especie.png dizem o que a figura é e de onde veio |
Nenhuma figura do texto vem de um gráfico de planilha copiado nem de um editor de imagem: o nome do script e do arquivo de dados que a geraram ficam registrados (no notebook, no README ou na legenda do material suplementar). Se alguém pedir «a figura com os dados de 2025», a resposta é um comando, não uma tarde de trabalho.
jamovi e JASP — quando usar; R e RStudio em um slide; OpenRefine e Orange para limpar e explorar; o mesmo resultado em duas ferramentas
Seis slides para quem prefere clicar a digitar: programas gratuitos que fazem os mesmos testes da Parte 3 por menu, com tabelas prontas para o texto. As páginas oficiais aparecem em capturas de 09/09/2026; jamovi e JASP não estão instalados nesta máquina, por isso não há capturas das janelas — só o que a documentação afirma.
jamovi: «planilha estatística gratuita e aberta», desenvolvida com R — descritivas, t, ANOVA, correlação e regressão por menu


| Item (jamovi.org, 09/09/2026) | O que diz |
|---|---|
| Custo | Desktop sempre gratuito; o plano Guest do Cloud também: «sem instalação, sem cartão de crédito» |
| Por dentro | Desenvolvido com R: o resultado é o mesmo que o R daria, sem escrever código |
| Documentação | docs.jamovi.org: descritivas, t, ANOVA, correlação/regressão; gerenciamento de dados; guia para quem vem do SPSS (CC BY-SA 4.0) |
| Versão | v2.7.30 no GitHub (23/05/2026) |
Quando a técnica é uma das do slide «A técnica vem do projeto» e você não quer programar: o jamovi lê o CSV arrumado, mostra a tabela de dados de um lado e a saída do outro, e atualiza o resultado quando se muda uma opção. Peça sempre o tamanho de efeito e o IC nas opções da análise — eles não vêm marcados por padrão em todo programa de menu, e sem eles o relato não cumpre o SAMPL.
O jamovi Desktop não foi instalado nesta máquina; os nomes de menu internos não são citados porque não foram conferidos — a documentação da Figura 21 os traz.
jamovi Cloud no navegador (sem instalar) e JASP: «A Fresh Way to Do Statistics», da Universidade de Amsterdã


| Ferramenta | Vantagem | O que saber |
|---|---|---|
| jamovi Cloud (Guest) | Nada a instalar; abre no navegador | O arquivo de dados sobe para um servidor de terceiros: só dado anonimizado; para trabalho contínuo, o Desktop |
| JASP | Tabelas já em formato APA; análise bayesiana ao lado da clássica; integração com o OSF | Instalação local (slide seguinte); não precisa de internet para analisar |
Os dois fazem o mesmo conjunto de testes deste manual; a escolha é de gosto e de ecossistema — jamovi para quem quer a planilha e a saída lado a lado com R por baixo, JASP para quem quer a tabela APA pronta e a versão bayesiana do mesmo teste. Em qualquer um, o resultado precisa bater com uma segunda ferramenta antes de ir para o texto (slide «Reproduzir o mesmo resultado»).
JASP 0.98.1: Windows, macOS, Linux e ChromeOS; ~4 GB de disco, 4 GB de RAM; licença GNU AGPL v3; sem internet

| Requisito (download, 09/09/2026) | Valor |
|---|---|
| Versão | 0.98.1 (07/07/2026) |
| Plataformas | Windows (MSIX/MSI/Store/WinGet); macOS (Apple Silicon e Intel); Linux (Flatpak/Flathub); ChromeOS |
| Disco · memória | ~4 GB de disco; 4 GB de RAM no mínimo, 8 GB recomendados |
| Licença | GNU AGPL v3 — código aberto |
| Internet | Não é necessária para analisar |
- Você quer ver a tabela e o resultado juntos e mexer nas opções
- Vem do SPSS (há guia na documentação)
- Precisa rodar no navegador sem instalar (Cloud Guest)
- Quer a tabela em formato APA pronta para o texto
- Quer a versão bayesiana do teste ao lado da clássica
- Já usa o OSF para guardar o projeto
Nenhum dos dois programas foi instalado nesta máquina; os requisitos e as plataformas vêm da página de download, não de uma instalação real.
R e RStudio em um slide: o «ambiente de software livre para computação estatística e gráficos» que está por baixo do jamovi


| Vá para o R quando | Por quê |
|---|---|
| O orientador ou o grupo já usa R | O script que eles leem é o que você entrega; a Parte 3 em Python tem equivalente linha a linha |
| O modelo vai além dos testes deste manual | Modelos mistos, séries, análises multivariadas têm pacotes consolidados no R |
| Você quer ver o que o jamovi fez | O jamovi é desenvolvido com R: o teste do menu corresponde a uma função do R |
R e Python fazem tudo o que este manual pede; não há razão para aprender os dois de uma vez. A regra é a mesma nos dois: o dado bruto intocado, um script para cada resultado, a figura gerada por código, o notebook (Jupyter roda R também) executado de cima a baixo. Este manual não traz comandos de R porque nada em R foi executado na demonstração — e não inventa saída.
R 4.6.1 e a página do RStudio conferidas em 09/09/2026; a versão do RStudio não foi conferida nesta data e não é afirmada.
OpenRefine para limpar «dados bagunçados» com histórico reproduzível; Orange para explorar visualmente antes de testar


| Ferramenta | Serve para | Não serve para |
|---|---|---|
| OpenRefine 3.10.1 | «Dados bagunçados»: limpar texto inconsistente («Adelie», «adelie », «ADELIE»), transformar de um formato em outro, com histórico de operações reproduzível | Testes estatísticos; é a etapa antes do limpar_dados.py, quando o texto está muito sujo |
| Orange 3.40.0 | Mineração de dados visual: olhar distribuições e relações sem escrever código | O relato: a figura do texto continua vindo de um script (Parte 3) |
Limpar no OpenRefine é aceitável porque o histórico de operações é reproduzível: guarde-o junto do relatório de limpeza e cite-o no método. Explorar no Orange é aceitável porque não decide nada: o que você vir ali vira uma pergunta a conferir com a técnica do projeto — não um resultado.
Reproduzir o mesmo resultado em duas ferramentas: se a média bate e o DP não, o problema é o n — e você só descobre comparando
analisar.py, o notebook ou o programa de menu — com o mesmo arquivo limpo| Espécie | Python (n · média · DP) | Calc (linhas · média · DP) |
|---|---|---|
| Adelie | 151 · 3700,66 · 458,57 | 152 · 3700,66 · 457,05 |
| Chinstrap | 68 · 3733,09 · 384,34 | 68 · 3733,09 · 384,34 |
| Gentoo | 123 · 5076,02 · 504,12 | 124 · 5076,02 · 502,06 |
Na demonstração, a planilha e o Python concordaram na média e discordaram no DP de duas espécies. A causa (slide «COUNTIF, AVERAGEIF e o n que muda o DP») foi uma linha com massa ausente contada no n do denominador da planilha. Sem a segunda ferramenta, o DP da planilha iria para o texto — e ninguém perceberia.
Todo número que vai para o texto foi obtido em duas ferramentas independentes, ou pela mesma ferramenta em dois caminhos (script e notebook). O registro da conferência («média e DP por espécie conferidos no Calc em 09/09/2026; diferença no DP explicada pelo n») fica no relatório de análise. Não é desconfiança do software: é desconfiança da opção que você marcou.
DP «da população» (÷ n) contra «da amostra» (÷ n − 1); t de Student contra Welch; correlação com ou sem as linhas incompletas; percentual sobre o total com ou sem ausentes. Em todos os casos, o n resolve.
Análise temática e o codebook antes de codificar; instalar e abrir o Taguette; criar projeto e adicionar documentos; destacar e etiquetar; ver por etiqueta e exportar; codificar_taguette.py; relatar com COREQ e SRQR
Oito slides com um projeto real no Taguette 1.5.2 local: três documentos, cinco etiquetas, doze destaques, exportação em CSV e a síntese por script. Os textos das «entrevistas» são fictícios e ilustrativos, escritos para a demonstração — nenhuma pessoa real foi entrevistada.
Análise temática em seis fases (Braun e Clarke, 2006) — e o codebook escrito antes de destacar o primeiro trecho
| Etiqueta (demonstração) | O que cobre — escrito antes de codificar (exemplo ilustrativo) |
|---|---|
| previsibilidade | Falas sobre antecipar falhas ou paradas e planejar com antecedência |
| qualidade do dado | Falas sobre sensores, registros e planilhas incompletos, errados ou não confiáveis |
| pessoas e treinamento | Falas sobre quem usa a informação, resistência e capacitação |
| custo | Falas sobre gasto, investimento e retorno |
| segurança | Falas sobre risco a pessoas e equipamentos |
O codebook é uma tabela — etiqueta, definição, exemplo, contraexemplo — escrita antes da codificação, a partir da pergunta de pesquisa e da primeira leitura, e versionada: toda etiqueta criada durante a codificação entra nele com data e motivo. Sem codebook, dois leitores etiquetam o mesmo trecho de jeitos diferentes e ninguém pode conferir. O Taguette exporta o codebook (slide «Ver por etiqueta e exportar»), mas quem o escreve é você.
Tema = contagem. «Custo apareceu 2 vezes, qualidade do dado 3» não é um resultado: um tema se sustenta pelo que os trechos dizem e por como respondem à pergunta, não pela frequência. A contagem serve para descrever a cobertura (em quantos documentos), não para ranquear temas.
Instalar o Taguette: «ferramenta gratuita e de código aberto para análise qualitativa de dados» — instalador no macOS e Windows, pip no Linux


pip install taguette. Versão no PyPI: 1.5.2.pip install taguette # nesta máquina, por causa de uma dependência antiga da versão 1.5.2: uv tool install taguette --python 3.12 --with "setuptools<80" taguette # abre o navegador em http://localhost:7465/?token=…
| Item (taguette.org, 09/09/2026) | Valor |
|---|---|
| Custo · licença | Gratuito; código aberto sob BSD-3 |
| Onde roda | No seu computador (macOS, Windows, Linux) ou num servidor; o servidor público app.taguette.org exige conta |
| Versão | 1.5.2 (PyPI) — a que rodou nesta máquina |
| Documentos aceitos | txt, docx, pdf, html e outros; os instaladores de macOS e Windows trazem o Calibre junto |
Transcrição de entrevista é dado pessoal até ser anonimizada: por isso o Taguette deste manual roda localmente, e o servidor público não é usado. O projeto do Taguette (banco local) fica na pasta protegida, fora do repositório; o que entra no Git é o codebook, o script e a síntese — e os destaques exportados só depois de conferir que nenhum trecho identifica alguém.
NVivo, ATLAS.ti e MAXQDA (pagos) e QualCoder (livre) fazem a mesma codificação; não foram conferidos nesta data, por isso só os nomes. O Taguette exporta o codebook em QDC (REFI-QDA) para trocar com outros softwares.
Abrir o Taguette: localhost:7465 no navegador, «Single-user mode» — e «Welcome! Here are your projects»


http://localhost:7465/?token=… — o programa roda no seu computador e o navegador só o exibe.| O que a tela diz | O que significa |
|---|---|
| localhost:7465 | Endereço da sua própria máquina; nada sai para a internet |
| ?token=… | Chave de sessão gerada ao abrir, que faz parte do endereço mostrado |
| Single-user mode | Sem contas: o projeto é de quem está no computador |
| «Import a project file» | Abre um projeto exportado antes (o seu de outra máquina, ou o de um colega) |
Um projeto por estudo, não por entrevista: os documentos ficam juntos para que a aba «Highlights» mostre uma etiqueta atravessando todos eles (slide «Ver por etiqueta»). Antes do primeiro documento, o codebook já está escrito e as etiquetas criadas com os mesmos nomes.
Criar o projeto e adicionar documentos: «Create a new project» → Name, Description → «Create» → «Add a document»


entrevista_01), descrição (perfil, data, duração — sem nome de pessoa), arquivoO nome do documento é o identificador que vai aparecer na exportação e no texto («entrevista_02»): curto, sem nome de pessoa, com uma tabela à parte — fora do repositório — ligando o identificador ao perfil e à data. A descrição do documento guarda o contexto (função, tempo de casa, data da entrevista) que o COREQ pede no relato.
Transcrições em .txt, .docx, .pdf ou .html são aceitas no «Add a document». O texto aparece à direita, pronto para destacar (slide seguinte).
Destacar e etiquetar: selecionar o trecho, escolher a etiqueta — o destaque fica ligado ao documento, à posição e à etiqueta

Um destaque é uma decisão: aquele trecho responde àquela definição do codebook. Trecho longo demais dilui o tema; curto demais perde o contexto que o leitor precisa para concordar com você. Codifique todo o material com o mesmo codebook; se ele mudar no meio, volte ao primeiro documento e recodifique — é a fase 4 de Braun e Clarke.
Os trechos que aparecem nesta parte foram escritos para a demonstração e não citam pessoa, empresa ou lugar real; ao reproduzi-los no texto, mantenha o rótulo.
Ver por etiqueta e exportar: a aba «Highlights» atravessa os documentos; «Export this view» salva os destaques; o codebook sai em CSV, DOCX ou REFI-QDA


| Exportação | Formatos | Para quê |
|---|---|---|
| Destaques («Export this view») | CSV, XLSX, DOCX, HTML… | O destaques.csv (id, document, tag, content) que o codificar_taguette.py lê; o DOCX para o orientador ler |
| Codebook | CSV, XLSX, DOCX, HTML, PDF e QDC (REFI-QDA) | O codebook.csv (tag, description, number of highlights, number of documents); o QDC para abrir em outro software |
| Projeto | Arquivo de projeto | «Import a project file», na tela inicial, o abre em outra máquina — a do segundo codificador, por exemplo |
| Etiqueta (codebook.csv real) | Destaques | Documentos |
|---|---|---|
| qualidade do dado | 3 | 3 |
| pessoas e treinamento | 3 | 3 |
| previsibilidade | 2 | 2 |
| custo | 2 | 2 |
| segurança | 2 | 2 |
| interesting | 0 | 0 |
Exporte os destaques e o codebook ao fim de cada sessão, com a data no nome do arquivo: a exportação é o registro auditável da codificação. O QDC (REFI-QDA) é o formato de troca entre programas de análise qualitativa — é o que permite ao segundo codificador usar outro software.
codificar_taguette.py: etiqueta × documento, trechos por etiqueta e coocorrência a partir do que o Taguette exportou

python3 codificar_taguette.py destaques.csv --codebook codebook.csv (captura de 09/09/2026, execução real nesta máquina): a matriz etiqueta × documento, os totais, a descrição de cada etiqueta vinda do codebook, os três trechos mais curtos por etiqueta e a coocorrência (o mesmo trecho com duas etiquetas). Os trechos são fictícios.python3 scripts/codificar_taguette.py destaques.csv --codebook codebook.csv python3 scripts/codificar_taguette.py destaques.csv --codebook codebook.csv --markdown sintese.md # grava a síntese para o texto
| Saída | Para quê |
|---|---|
| Etiqueta × documento | Cobertura: em quais entrevistas cada tema aparece (não «quantas vezes é verdade») |
| Descrição | A definição do codebook, ao lado dos números, para não esquecer o que a etiqueta significa |
| Três trechos mais curtos | Candidatos a citação no texto — os curtos cabem no parágrafo; os longos vão para o suplemento |
| Coocorrência | Trechos com duas etiquetas: onde os temas se tocam — matéria-prima da fase 4 (revisão) |
O script organiza; não interpreta. A síntese em Markdown é o ponto de partida do capítulo de resultados: para cada tema, a definição, em quantos documentos apareceu e os trechos — e então você escreve o que o tema responde à pergunta. Cada trecho citado no texto leva o identificador do documento («entrevista_02»), como o Taguette exporta.
Relatar o qualitativo: COREQ (32 itens) ou SRQR, um segundo codificador numa amostra, e trechos no texto — com documento e etiqueta

| O texto precisa dizer | Onde este manual ajuda |
|---|---|
| Quem codificou, com que experiência e relação com os participantes | Reflexividade (COREQ, domínio 1): escreva antes de codificar |
| Como o codebook foi construído e mudou | O codebook versionado (slide «Análise temática») |
| Quantos codificadores; como as divergências foram resolvidas | Segundo codificador numa amostra de documentos, com o mesmo codebook; divergências discutidas e registradas |
| Software usado | Taguette 1.5.2; exportação em CSV; codificar_taguette.py |
| Temas com trechos ilustrativos e identificador do participante | Os trechos de destaques.csv, com o documento («entrevista_02») — nunca o nome |
| Achados ligados à pergunta; casos discordantes | A coocorrência e os trechos que não couberam em nenhum tema entram no relato, não somem |
Um trecho no texto tem três partes: a citação entre aspas, o identificador do documento e a etiqueta ou o tema — e, quando fictício, o rótulo. Ex.: «[trecho fictício]» (entrevista_01, tema «qualidade do dado»). O SRQR (O'Brien et al., 2014) é a alternativa quando o estudo não é entrevista ou grupo focal; os dois estão na EQUATOR (Parte 6).
SAMPL — o que toda estatística relatada precisa ter; tudo num só plugin; erros comuns; checklist; glossário; referências; como citar
O resultado só existe quando está relatado de um jeito que outra pessoa consiga conferir: n, efeito, IC, p exato, pressupostos, figura por script, trechos com identificador. Depois, o que costuma dar errado, a lista para conferir, os termos e as fontes.
SAMPL: o que toda estatística relatada precisa ter — e a EQUATOR, onde estão os guias de relato de cada tipo de estudo


| Todo resultado traz | Exemplo com a demonstração |
|---|---|
| n por grupo e ausentes | 151 Adelie, 68 Chinstrap, 123 Gentoo; 2 sem massa |
| Descritivas completas | Média e DP (e mediana e IQR quando assimétrico) por grupo |
| Efeito na unidade + IC 95 % | −683,41 g (IC 95 % −840,58 a −526,25) entre fêmeas e machos |
| Tamanho de efeito padronizado | d = −0,94; η² = 0,67; V = 0,01 |
| Teste, estatística, graus de liberdade, p exato | t de Welch t(323,9) = −8,55; χ²(2) = 0,05, p = 0,976 |
| Pressupostos e teste robusto | Mann-Whitney U = 6874; Kruskal-Wallis H = 217,60 ao lado |
| Software e versão | Python 3.14.7, pandas 3.0.5, SciPy 1.18.1; ou jamovi/JASP com versão |
«As fêmeas pesaram, em média, 683,41 g menos que os machos (IC 95 % −840,58 a −526,25; t de Welch t(323,9) = −8,55; d = −0,94; Mann-Whitney U = 6874). A massa diferiu entre as espécies (ANOVA F(2, 339) = 343,63, p < 0,001, η² = 0,67; Kruskal-Wallis H = 217,60; n = 342).»
Números da execução de 09/09/2026 (Figuras 16 e 18); a forma segue Lang e Altman (2015).No método: cada técnica com o motivo, o software com versão, o que foi feito com ausentes e valores extremos, a correção para múltiplas comparações. No resultado: a frase acima, para cada pergunta do projeto, na ordem do projeto. Nada de «p < 0,05» genérico, nada de resultado sem n, nada de figura sem script.
Tudo num só plugin: a skill analise-de-dados roda e explica; o aluno decide a técnica, interpreta e escreve
O plugin Pesquisa MirandasTech (para Claude Code e Codex) coloca os papéis dos manuais dentro do assistente, com um estado único (PROGRESSO.md) e um gerente — o Pesquisador — que só fecha uma fase com evidência. A skill analise-de-dados segue este manual: lê no PROGRESSO.md a técnica prevista, roda o limpar_dados.py e discute cada aviso, roda o analisar.py conforme o projeto, reproduz o resultado numa segunda ferramenta, organiza a codificação do Taguette com o codificar_taguette.py — e explica cada número. Quem decide a técnica, interpreta o resultado e escreve é o aluno.
| Papel | O que faz com este manual | Slides |
|---|---|---|
| Pesquisador | Confere que a técnica está no projeto, que existe arquivo limpo com relatório, que cada tabela e figura tem script, que o resultado tem efeito e IC e que a síntese qualitativa tem trechos | Partes 1, 3, 5 e 6 |
| Skill analise-de-dados | Roda os três scripts, explica a saída, reproduz em duas ferramentas, monta a frase no padrão SAMPL para o aluno revisar | Partes 2 a 6 |
| Metodólogo | Decide a técnica com o aluno, antes da coleta; registra mudanças | Parte 1 |
| Orientador (uso de IA) | Declara o uso do assistente na análise e no texto | Último slide |
Pesquisador, onde paramos? Rode o limpar_dados.py em dados/coleta.csv e me explique cada aviso. Compare a variável tempo_parada entre os grupos do projeto e me explique o IC e o d. Reproduza a média e o DP por grupo na planilha e me diga se o n bate. Organize os destaques exportados do Taguette com o codebook. /pesquisa:status /pesquisa:proxima
O agente recusa quatro pedidos: apagar os pontos «que estragam o gráfico» (mostra o efeito com e sem e registra a decisão do aluno); rodar todos os testes e dizer qual deu significativo (a técnica vem do projeto); inventar dados «parecidos» sem o rótulo «simulado»; e resumir entrevistas em temas sem codebook. Ele nunca digita um número no texto: todo valor nasce de um script ou de uma exportação, com o arquivo de origem nomeado.
Metodologia decide a técnica; Busca e PRISMA trazem a literatura; Zotero guarda as referências; este manual analisa; Git versiona scripts e dados derivados; LaTeX escreve; Notebook ajuda a ler; Uso de IA declara; o plugin mantém a ordem. Hub: mirandastech.com.br/pesquisa.
Erros comuns — como aparecem e como corrigir
| Erro | Como aparece | Causa | Correção |
|---|---|---|---|
| p sem efeito | «Houve diferença significativa (p < 0,05)» e nada mais | Confundir «distinguível do acaso» com «importante» | efeito na unidade + IC 95 % + d ou η² + p exato |
| Apagar o outlier | O ponto «estranho» some da tabela e da figura sem registro | Achar que o gráfico ficou «mais limpo» | investigar; manter salvo erro comprovado; relatar com e sem |
| Teste escolhido pelo p | Student, Welch e Mann-Whitney rodados; só o «que deu» no texto | Técnica decidida depois de ver o resultado | técnica do projeto; paramétrico + robusto lado a lado |
| Figura de planilha colada | Eixo sem unidade, sem n; imagem que não se refaz | Gráfico feito à mão no Excel/Calc e copiado | analisar.py --figura ou notebook; script guardado |
| Número digitado | Uma média no texto que não bate com a tabela | Valor copiado à mão, dado atualizado depois | tudo vem do --markdown do script ou da exportação |
| Dado pessoal na planilha | Nome, CPF ou e-mail de participante na tabela de análise | Anonimização adiada | anonimizar antes; bruto fora do repositório (LGPD) |
| Sem n por grupo | «Os grupos diferiram» sem dizer quantos em cada | Tabela descritiva incompleta | n e ausentes por grupo em toda tabela |
| Média sem DP | «Média de 3700,66 g» solta | Só a tabela dinâmica com «média» | média ± DP; mediana e IQR se assimétrico |
| Correlação como causa | «A nadadeira aumenta a massa» a partir de r = 0,87 | Leitura causal de uma associação | «variam juntas»; causa exige desenho, não r |
| Codificar sem codebook | Etiquetas criadas ao sabor da leitura; ninguém reproduz | Começar a destacar antes de definir | codebook escrito e versionado antes; recodificar se mudar |
| Tema sem trecho | «Emergiu o tema custo» sem citação nem identificador | Síntese por contagem | trecho + documento + etiqueta; COREQ/SRQR |
| Notebook não executado de cima a baixo | Erro na terceira célula quando outra pessoa abre | Células rodadas fora de ordem; kernel com variáveis antigas | reiniciar o kernel e executar tudo; nbconvert --execute |
| DP «diferente» entre ferramentas | 457,05 na planilha, 458,57 no Python | n do denominador contou a linha sem valor | comparar o n antes de comparar o resultado |
Checklist final: antes de escrever os resultados
Marque conforme concluir. O estado fica salvo neste navegador — não é compartilhado nem enviado a lugar nenhum.
Glossário
Tudo que aparece no manual sem ser explicado no próprio slide — e o que foi explicado uma vez e vale reler.
Dados e descrição
- Tidy (dados arrumados)
- Cada variável numa coluna, cada observação numa linha, cada tipo de unidade numa tabela (Wickham, 2014).
- Variável
- Uma característica medida ou classificada: uma coluna da tabela arrumada (
body_mass_g,species). - Observação
- Uma unidade medida: uma linha da tabela (um pinguim, um participante, uma máquina).
- Ausente
- Valor não registrado; fica vazio (não vira zero) e é contado à parte; muda o n de cada análise.
- Outlier (valor extremo)
- Valor muito afastado dos demais; candidato a investigação, não a exclusão; o
limpar_dados.pyavisa os que passam de 1,5 × IQR. - IQR (intervalo interquartil)
- Distância entre o valor que deixa 25 % abaixo e o que deixa 75 % abaixo: a «caixa» do boxplot.
- Média
- Soma dos valores dividida por n; sensível a extremos.
- Mediana
- O valor do meio da coluna ordenada; resistente a extremos.
- DP (desvio padrão)
- Quanto os valores se afastam da média, na unidade da variável; acompanha toda média relatada.
- n
- Número de observações que entraram no cálculo; por grupo, sempre.
- IC 95 % (intervalo de confiança)
- Faixa de valores compatível com os dados para a diferença ou o efeito; se não inclui o zero, a diferença é distinguível de zero.
- p
- Probabilidade de observar um resultado tão extremo quanto o obtido se não houvesse efeito; não mede o tamanho do efeito; relatado exato.
- Tamanho de efeito
- Quanto o efeito vale, na unidade da variável (diferença) ou padronizado (d, η², r, V).
- d de Cohen
- Diferença entre duas médias dividida pelo desvio padrão combinado.
- η² (eta ao quadrado)
- Fração da variação total explicada pelos grupos (0 a 1); tamanho de efeito da ANOVA.
- V de Cramér
- Força da associação entre duas variáveis categóricas (0 a 1); tamanho de efeito do qui-quadrado.
Testes, notebooks e qualitativo
- t de Welch
- Compara duas médias sem supor variâncias iguais; graus de liberdade fracionários (323,9).
- Mann-Whitney
- Compara dois grupos por postos (posições), sem supor distribuição normal; par robusto do t.
- ANOVA
- Compara três ou mais médias; F é a razão entre a variação entre grupos e dentro deles.
- Kruskal-Wallis
- Compara três ou mais grupos por postos; par robusto da ANOVA.
- Pearson (r)
- Correlação linear entre duas medidas, de −1 a 1; não implica causa.
- Spearman (ρ)
- Correlação por postos; par robusto do Pearson; mede relação monotônica.
- Qui-quadrado (χ²)
- Testa a associação entre duas variáveis categóricas numa tabela cruzada; exige esperados ≥ 5.
- Teste robusto (não paramétrico)
- Usa as posições dos valores em vez dos valores; não depende da forma da distribuição.
- Múltiplas comparações
- Vários testes no mesmo estudo aumentam a chance de um p «significativo» por acaso; exigem correção e declaração.
- Notebook
- Arquivo
.ipynb(JSON aberto) com células de código, texto e saídas; abre no JupyterLab e no Colab. - Kernel
- O processo que executa as células e guarda as variáveis; reiniciá-lo limpa a memória.
- Codebook
- Tabela com etiqueta, definição, exemplo e contraexemplo, escrita antes de codificar e versionada.
- Etiqueta (tag)
- O código aplicado a um trecho no Taguette; cada uma vem do codebook.
- Destaque (highlight)
- Um trecho selecionado e etiquetado; a exportação traz id, documento, etiqueta e conteúdo.
- Análise temática
- Método de Braun e Clarke (2006) em seis fases: familiarização, códigos, busca de temas, revisão, definição e nomeação, relato.
- Coocorrência
- O mesmo trecho com duas etiquetas; onde os temas se tocam.
- REFI-QDA (QDC)
- Formato de troca de codebooks entre programas de análise qualitativa; o Taguette exporta o codebook em QDC.
- SAMPL · COREQ · SRQR
- Guias de relato da EQUATOR: estatística (Lang e Altman, 2015); entrevistas e grupos focais (Tong et al., 2007); qualitativa em geral (O'Brien et al., 2014).
Referências (1 de 2): os dados, os métodos e os guias de relato
- GORMAN, K. B.; WILLIAMS, T. D.; FRASER, W. R. Ecological sexual dimorphism and environmental variability within a community of Antarctic penguins (genus Pygoscelis). PLoS ONE, 2014.doi.org/10.1371/journal.pone.0090081
- PALMERPENGUINS. Palmer Penguins: pacote e CSV, CC0; dados coletados por Kristen Gorman com a Palmer Station LTER. Acesso em 9 set. 2026.allisonhorst.github.io/palmerpenguins
- WICKHAM, H. Tidy Data. Journal of Statistical Software, v. 59, n. 10, 2014.doi.org/10.18637/jss.v059.i10
- WILSON, G.; BRYAN, J.; CRANSTON, K.; KITZES, J. et al. Good enough practices in scientific computing. PLOS Computational Biology, 2017.doi.org/10.1371/journal.pcbi.1005510
- LANG, T. A.; ALTMAN, D. G. Basic statistical reporting for articles published in biomedical journals: the "Statistical Analyses and Methods in the Published Literature" or the SAMPL Guidelines. International Journal of Nursing Studies, v. 52, n. 1, p. 5-9, 2015.doi.org/10.1016/j.ijnurstu.2014.09.006
- BRAUN, V.; CLARKE, V. Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 2006.doi.org/10.1191/1478088706qp063oa
- TONG, A.; SAINSBURY, P.; CRAIG, J. Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ): a 32-item checklist for interviews and focus groups. International Journal for Quality in Health Care, v. 19, n. 6, p. 349-357, 2007.doi.org/10.1093/intqhc/mzm042
- O'BRIEN, B. C.; HARRIS, I. B.; BECKMAN, T. J. et al. Standards for Reporting Qualitative Research (SRQR). Academic Medicine, 2014.doi.org/10.1097/ACM.0000000000000388
- THE TURING WAY COMMUNITY; SCRIBERIA. The Turing Way. Zenodo, 2024. CC BY 4.0.doi.org/10.5281/zenodo.3332807
- EQUATOR NETWORK. Reporting guidelines: CONSORT, STROBE, PRISMA, COREQ, SRQR, SAMPL. Acesso em 9 set. 2026.equator-network.org
Referências (2 de 2): as ferramentas — páginas oficiais e versões observadas em 09/09/2026
- PYTHON. Python 3.14.7 (05/08/2026). python.org. Acesso em 9 set. 2026.python.org/downloads
- PANDAS. pandas 3.0.5 (22/07/2026), BSD-3. Acesso em 9 set. 2026.pandas.pydata.org
- SCIPY. scipy.stats (SciPy 1.18.1 nesta máquina); MATPLOTLIB (3.11.1); SEABORN (0.13.2). Acesso em 9 set. 2026.docs.scipy.org matplotlib.org
- PROJECT JUPYTER. Jupyter; JupyterLab 4.6.3 nesta máquina. Acesso em 9 set. 2026.jupyter.org
- GOOGLE. Colaboratory — Perguntas frequentes. Acesso em 9 set. 2026.research.google.com/colaboratory/faq
- R PROJECT. R 4.6.1 «Happy Hop» (24/06/2026); POSIT. RStudio. Acesso em 9 set. 2026.r-project.org posit.co
- JAMOVI. jamovi (v2.7.30, 23/05/2026); jamovi docs (CC BY-SA 4.0); jamovi Cloud. Acesso em 9 set. 2026.jamovi.org docs.jamovi.org cloud.jamovi.org
- JASP. JASP 0.98.1 (07/07/2026), GNU AGPL v3. Universidade de Amsterdã. Acesso em 9 set. 2026.jasp-stats.org jasp-stats.org/download
- THE DOCUMENT FOUNDATION. LibreOffice Calc (26.8 no site; 25.2.7 nesta máquina), MPL v2.0; Ajuda do LibreOffice: Criar tabelas dinâmicas (pt-BR). Acesso em 9 set. 2026.libreoffice.org help.libreoffice.org
- GOOGLE. Planilhas Google (Google Workspace). Acesso em 9 set. 2026.workspace.google.com/products/sheets
- OPENREFINE. OpenRefine 3.10.1 (04/03/2026); ORANGE. Orange 3.40.0. Acesso em 9 set. 2026.openrefine.org orangedatamining.com
- TAGUETTE. Taguette 1.5.2, BSD-3; Install; Getting started with Taguette. Acesso em 9 set. 2026.taguette.org taguette.org/install
- BRASIL. Portal Brasileiro de Dados Abertos e Catálogo Nacional de Dados; IBGE. SIDRA; OSF. Open Science Framework; ZENODO. Busca de datasets. Acesso em 9 set. 2026.dados.gov.br sidra.ibge.gov.br osf.io zenodo.org
Versões, citações e nomes de botão foram lidos nas páginas acima em 09/09/2026 e mudam sem aviso. Não há preço de Excel, Colab Pro, jamovi Cloud pago, NVivo, ATLAS.ti ou MAXQDA; não há limite numérico do Colab gratuito (a FAQ diz que flutuam); não há versão do PSPP nem número de conjuntos do dados.gov.br — porque não foram conferidos nessa data. Nenhum resultado estatístico além dos da execução de 09/09/2026 aparece no manual.
Como citar este manual, declaração de uso de IA e licença
MATIAS, J. P. M. Análise de dados na pesquisa: passo a passo. MirandasTech, v1.0, set. 2026. CC BY 4.0.
Este manual: dados.mirandastech.com.br (PDF em /manual.pdf). Manuais irmãos: git.mirandastech.com.br · latex.mirandastech.com.br · busca.mirandastech.com.br · prisma.mirandastech.com.br · zotero.mirandastech.com.br · metodologia.mirandastech.com.br · notebook.mirandastech.com.br · manual.mirandastech.com.br · plugin.mirandastech.com.br · hub: mirandastech.com.br/pesquisaConteúdo, capturas, o notebook e os scripts limpar_dados.py, analisar.py e codificar_taguette.py: CC BY 4.0 — use, copie, adapte e redistribua com atribuição. O conjunto Palmer Penguins é CC0. pandas, Jupyter, Google, Posit, jamovi, JASP, The Document Foundation, Taguette, OpenRefine, Orange, Microsoft e as demais ferramentas e serviços citados são marcas e projetos de terceiros, sem vínculo nem endosso deste manual.
Este manual foi escrito com assistência de IA (Claude, Anthropic) na estruturação, na redação, na automação das capturas de tela e na execução dos scripts e do notebook, sob as regras do manual de Uso de IA na pesquisa científica. Todos os fatos, números, versões, citações e nomes de botão foram conferidos nas fontes indicadas em 09/09/2026. Nenhuma captura foi feita com login. Os dados quantitativos são reais e abertos (Palmer Penguins, CC0); os textos qualitativos são fictícios e ilustrativos, escritos para a demonstração. Decisões de conteúdo, seleção das fontes e responsabilidade pelo texto são do autor.